Neste momento em que Sylvester Stallone dá o melhor de si
à frente de “Ajuste de contas” (“Grudge match”), ao lado de Robert De Niro,
segue aqui um momento inesquecível do eterno Rocky Balboa para amolecer
tímpanos. Sequência de “Rhinestone – Um brilho na noite” (1984), de Bob Clark.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Conheça os indicados ao Oscar 2014
Apesar da ausência de Robert Redford e da esnobada em “Inside
Llewyn Davis”, dos irmãos Coen, o Oscar 2014 deu devido valor ao engenho
narrativo de “Gravidade”, de Alfonso Cuarón, líder de indicações empatado com “Trapaça”,
de David O. Russel, ambos disputando em dez frentes. Em terceiro lugar aparece “12
anos de escravidão”, de Steve McQueen, vencedor do Globo de Ouro no domingo, que
vai disputar estatuetas em nova categorias. O prêmio de melhor filme vai ter
ainda entre seus concorrentes “Ela",
"Nebraska", "Filomena", "Clube de Compras
Dallas", "12 Anos de Escravidão" e "O Lobo de Wall
Street". Vale ressaltar que “A grande beleza”, de Paolo Sorrentino,
favoritaço entre os filmes estrangeiros, cravou uma (merecida) indicação para
si.
Indicados
ao Oscar 2014
Melhor
filme
·
Trapaça
·
Capitão Phillips
·
Gravidade
·
Ela
·
Nebraska
·
Philomena
·
12 Anos de Escravidão
·
O Lobo de Wall Street
Melhor
diretor
·
Nebraska -
Alexander Payne
Melhor
atriz
·
Cate Blanchett
·
Amy Adams
·
Sandra Bullock
·
Judi Dench
·
Meryl Streep
Melhor
ator
·
Christian Bale
·
Bruce Dern
·
Leonardo DiCaprio
·
Chiwetel Ejiofor
·
Matthew McConaughey
·
Melhor
atriz coadjuvante
·
Sally Hawkins
·
Jennifer Lawrence
·
Lupita Nyong'o
·
Julia Roberts
·
June Squibb
Melhor
ator coadjuvante
·
Barkhad Abdi
·
Bradley Cooper
·
Michael Fassbender
·
Jonah Hill
·
Jared Leto
Melhor
canção original
·
"Alone Yet Not Alone" - Alone Yet Not Alone
·
"Happy" - Meu Malvado Favorito 2
·
"Let it Go" - Frozen
·
"The Moon Song" - Ela
·
"Ordinary Love" - Mandela
Melhor
roteiro adaptado
·
Antes da Meia-Noite
·
Capitão Phillips
·
Philomena
·
12 Anos de Escavidão
·
O Lobo de Wall Street
Melhor
roteiro original
·
Trapaça
·
Blue Jasmine
·
Clube de Compras Dallas
·
Ela
·
Nebraska
Melhor
longa de animação
·
Os Croods
·
Meu Malvado Favorito 2
·
Ernest & Celestine
·
Frozen
·
The Wind Rises
Melhor
longa documentário
·
The Act of Killing
·
Cutie and the Boxer
·
Dirty Wars
·
The Square
·
20 Feet From Stardom
Melhor
longa estrangeiro
·
The broken Circle
breakdown
·
A Grande beleza
·
A Caça
·
The Missing Picture
·
Omar
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
'O homem das multidões' a caminho do sucesso, em Tiradentes e Berlim
Corre hoje pelos bastidores do cinema a notícia de
que o Brasil vai disputar o Urso de Ouro com “Praia do Futuro”, do cearense
Karim Aïnouz, mas nem só do diretor cearense viverá a presença de medalhões nacionais
da direção no Festival de Berlim (6 a 16 de fevereiro). Foi escalado para a
seção Panorama do evento alemão o drama brasileiro “O homem das multidões”,
dobradinha entre o cineasta pernambucano Marcelo Gomes e o realizador e
videoartista mineiríssimo Cao Guimarães. Os dois foram premiados com o troféu
Redentor de melhor diretor no Festival do Rio 2013 pelo longa-metragem, que vai
desfilar também pela Mostra de Cinema de Tiradentes (24 de janeiro a 1º de
fevereiro).
Em sua primeira exibição pública aqui no país, no
Odeon, o cinema brasileiro aprendeu que misturar coentro com cachaça – ou seja,
combinar o melhor do audiovisual de Pernambuco com o blues etílico das artes
visuais de Minas Gerais – pode gerar uma
experiência de linguagem avessa a rotulações. Inspirada livremente em um conto
homônimo de Edgar Allan Poe, a produção rodada a quatro mãos pelos realizadores
de “Cinema, aspirinas e urubus” e “Andarilho” dispensou as dimensões
retangulares habituais da telona das salas de projeção do Brasil e optou por
uma janela quadrada, definida por Gomes como uma dimensão 3x3, numa “mistura
das estéticas do Instagram e de uma polaroide”.
- É uma combinação da solidão da era analógica com
a solidão digital, dos que estão integrados online – definiu Gomes à época. –
Este é um filme de silêncios emocionais.
“O homem das multidões” dá de presente às suas
plateias um ator do qual o cinema nacional pouco conhecia: Paulo André, mineiro
de Itabirito, integrante do Grupo Galpão de teatro. Embora tenha feito longas
como “Fronteira” (2008) e “Moscou” (2009), Paulo André despontou com o
efeito-surpresa de um desconhecido no papel de Juvenal, um condutor de trem em
Belo Horizonte cuja vida é velada pela invisibilidade e pelo anonimato.
Da casa para o trabalho, do trabalho para uma casa
povoada por uma geladeira onde só há garrafas d´água, Juvenal vive sob a
proteção do isolamento, sem amores, sem amigos ou bichos. Mas a presença cada
vez mais constante de sua supervisora, Margô (Sílvia Lourenço, de “Contra
todos”), vai abrindo sulcos em seu escudo afetivo. A princípio, tudo o que ela
quer dele é um padrinho para seu casamento com um homem a quem conheceu via
web. Mas, numa mecânica que lembra, de longe, o estudo etnopoético de mundo do
cinema do português Pedro Costa (“Juventude em marcha”), a relação de boas
maneiras e almoços silenciosos entre a chefe de setor e o funcionário mais
competente da linha férrea de BH evolui para a esfera inaudita do querer.
Desde o Festival do Rio, em outubro, os comentários
elogiosos ao filme só fazem crescer e muitos se concentram sobre a figura do
diretor de fotografia Ivo Lopes Araújo, responsável pela lapidação visual de “O
homem das multidões. Este, diferentemente dos demais longas de Gomes, não deixa
a emoção jorrar sem amarras.
- Aqui, o sentimentos são represados pela linguagem
muda dos gestos contidos – o que pode causar estranheza aos fãs do diretor,
nessa parceria com Cao.
Berlim e Tiradentes só tendem
a lucrar com o longa.
'Praia do Futuro' nas garras do Urso de Berlim
Confirmadíssima a presença brasileira na disputa
pelo Urso de Ouro no 64º Festival de Berlim (6 a 16 de fevereiro) com a
inclusão de “Praia do Futuro”, do cearense Karim Aïnouz, em concurso. Em seu
novo longa-metragem, rodado numa ponte Berlim-Fortaleza, o diretor de “O céu de
Suely” (2006) falará de um personagem que, como ele, foi para o exterior para
expressar novas vozes em sua subjetividade. Wagner Moura é um salva-vidas que
deixa o Ceará, onde é visto como herói, para ir descobrir quem de fato é na
Alemanha.
— Se eu ficasse no Brasil, eu poderia ter uma
carreira conveniente, confortável para alguém com mais de 45 anos. Mas, lá
fora, eu tenho uma inquietação, uma sensação de eterno recomeço – explica Karim.
- Berlim faz com que eu não queria fazer só um cinema bem feito. Eu não me
sinto bem em estar acomodado. Preciso de maneiras diferentes de falar do mundo.
Dez pedidas do dia: Iguarias nacionais que merecem uma redescoberta urgente
1. “O
mágico e o delegado” (1982), de Fernando Coni Campos;
3. “A bela Palomera” (1988), de Ruy Guerra;
4. “Momento trágico” (2003), de Cibele Amaral;
5. “Eu matei Lúcio Flávio” (1979), de Antonio Calmon;
6. “Barra 68” (2000), de Vladimir Carvalho;
7. ”O princípio do prazer” (1978), de Luiz Carlos Lacerda;
8. “Rocky & Hudson, os caubóis gays” (1994), de Otto Guerra;
9. “O príncipe” (2002), de Ugo Giorgetti;
10. “Amei um bicheiro” (1952), de Jorge Ileli e Paulo Wanderley.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Amores Roubados - Entrevista com George Moura
Primeiro sucesso
audiovisual da TV brasileira em 2014, a minissérie “Amores roubados”, em cartaz
até sexta-feira na Rede Globo, contou com a astúcia de um dos roteiristas mais
requisitados do país em seu script: George Moura. Seu nome ganhou notoriedade
no cinema graças ao êxito internacional de “Linha de passe”, de Daniela Thomas
e Walter Salles, premiado em Cannes em 2008. Trabalhou ainda no documentário “Moro
no Brasil” e na ficção ainda inédita “Getúlio”, de João Jardim. Entre 2007 e
2011, roteirizou também diversos episódios da série musical “Por toda a minha
vida”, pela qual recebeu seis indicações consecutivas ao Emmy International. Na
televisão, escreveu ainda “O canto da sereia” (2013). No seriado atual, ele
ajudou a dar verossimilhança ao personagem de Cauã Reymond, um enólogo acossado
pela Morte por culpa de suas paixões clandestinas. No projeto, Moura trabalhou
com o diretor José Luiz Villamarim (“Avenida Brasil”) e com o fotógrafo Walter
Carvalho, realizador de “Budapeste” (2009). Nesta entrevista, Moura explica seu processo
de escrita, comenta como construiu a trama de "Amores...' a partir de um diálogo com o livro "A emparedada da rua nova", de Carneiro Vilela, e fala de seus planos para a arte cinematográfica até o fim do ano.
De que maneira uma
série como "Amores roubados", com sua boa repercussão de crítica e
público, sinaliza uma mudança de paradigma em relação ao sexo e à violência na
TV nacional?
GEORGE
MOURA - Não sei se chegamos ao ponto de provocar uma mudança de paradigma, mas,
de fato, todas as pessoas que comentaram comigo e com outros que fizeram parte
da equipe, ficaram encantadas com o frescor de "Amores roubados". O
maior exemplo dessa perplexidade gerada pela minissérie, veio de uma pessoa que
disse, para mim, uma frase emblemática em forma de pergunta: "vocês usam
outra câmera, mais moderna, e fazem de outro jeito ‘Amores roubados’, não
é?" E eu perguntei: "Por quê?" A pessoa disse: "É porque é
totalmente diferente de tudo o que está no ar e já foi feito na TV". Achei
o comentário sintomático. Um leigo que ao ver a minissérie no ar, tenta
identificar em um recurso técnico, uma escolha estética. A câmera é a mesma. O
que muda é a vontade e o rigor na escrita de cena. Escrita essa que está no
roteiro e para muito além do roteiro.
Como se deu o seu
diálogo com a prosa de "A Emparedada da Rua Nova" e de que forma o
texto levado às telas joga com a realidade de Petrolina dos dias atuais?
GEORGE
MOURA - O diálogo com o original foi uma jornada difícil, fascinante e
desafiadora. O que temos de atual naquele folhetim de 1909 é a argúcia com que
o Carneiro Vilela trata as paixões humanas. Essas paixões são muito parecidas
há milhões de anos. O que existe de antigo na trama são os mecanismos e as
imposições morais da época. Por exemplo, no original, uma cantada do Don Juan
vinha por uma carta, na adaptação ela vai por um torpedo de celular. Mas isso
são detalhes... O que é preservado e ressignificado é que, seja por carta ou
torpedo, o ímpeto do desejo é preservado e impossível de ser contido. O mais
complexo nesse processo de transposição, ou melhor, de recriação é encontrar as
equivalências dramáticas do século XIX com o XXI. E a ideia de levar a trama
original, que se passa na cidade do Recife, para o sertão de Pernambuco, se deu
por isto. O sertão contemporâneo onde se passa “Amores roubados” é um nordeste
que se modernizou, mas preserva ainda arraigados conceitos arcaicos de honra e
moral. É uma geografia física e humana perfeita para esta saga, para esta ópera
seca.
Quais são os seus
compromissos com o cinema este ano e de que forma a sua prática no ofício da
teledramatutgia te municiam com outros recursos para escrever filmes?
GEORGE
MOURA - Este ano vai se lançado um filme
dirigido por João Jardim, "Getúlio", com Tony Ramos, que conta a
história dos últimos 19 dias da vida do então presidente. É um belo filme
intimista sobre as entranhas e a solidão do poder. Também, no segundo semestre,
será rodado o novo filme do Cacá Digues, "O Grande Circo Mísitico",
baseado no poema de Jorge de Lima. Não tem relação direta com o espetáculo de
dança criado por Naum Alves de Souza, nem com as lindas canções e o disco de
Chico Buarque e Edu Lobo. É um filme sobre uma família que vive do circo, numa
trajetória de esplendor, catástrofe e renascimento. Acho
que o exercício diário da escrita para TV deixa você com treino e fôlego para
as narrativas. Mas é preciso ficar atento e ver que TV e cinema podem ter suas
diferenças na gramática da escrita; embora estejam cada vez mais parecidas.
Quais (ainda) são as
principais fragilidades da dramaturgia no cinema brasileiro? O que pode mudar?
GEORGE
MOURA - Quem sou eu para apontar as fragilidades do cinema brasileiro... A
única coisa que eu poderia dizer é que como espectador fico muito triste de ver
filmes que fazem milhões em bilheteria e quando vou assistí-los, vejo que são
muito mal realizados em todos os sentidos: roteiro, direção, atuação etc. E me
pergunto: será que quem vê esses filmes percebe isto? Ou é apenas um
preciosismo de quem vive do ofício? Não sei... Mas acho que falta ao cinema
brasileiro rigor no fazer.
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